Minha flor

Lilypie Fourth Birthday tickers

Meu amor

Lilypie Kids Birthday tickers

>> segunda-feira, 6 de maio de 2013


Gosto do que me causa estranhamento. Do que pincela meu olhar de curiosidade. Daquilo que me lança além da minha zona de conforto e que me faz caminhar e dar uma espiadela no que há por detrás da cortina. Gosto do que sugere, e não do que explicita. Gosto da beleza que se esconde brincalhona em um rosto que se destaca improvável em uma multidão de semelhanças entediantes.  Me derreto diante de olhos que não apenas me desejam, mas que perscrutam minha alma, investigam meu desejo e submetem meu ímpeto a um comando sutil. Gosto dos caminhos incógnitos dos labirintos que surgem das possibilidades. Sou deliciosamente movida pelos imprevistos admirados que se descortinam diariamente diante de minhas escolhas. O mundo fica infinitamente melhor quando viramos do avesso todo e qualquer padrão conhecido e confortável.  O que eu gosto mesmo é de assumir os riscos de viver  de acordo comigo mesma. 

Marisa Dionisio

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Em maio

>> sábado, 4 de maio de 2013


Os dias enfim
chegaram a maio
O sol, mais breve,
morre suave junto com a tarde.
E como amantes apaixonados
os dois encostam
simultaneamente,
cansados e sincronizados
na linha do horizonte que se finda.
A luz de maio é cheia,
intensa,
inunda as horas
e transborda,
farta,
no tempo.
Maio chega
como reinante absoluto
Vestido de branco
repleto e longo
como um manto
a encobrir dores
cravadas no peito.
Maios antigos
contam-me histórias passadas
de um calendário esquecido
na memória
de uma meninice recente.
Maio em mim
dói
aperta o peito
e carrega em si
pesares profundos
silêncios solenes
e um sentido simbólico
Maio me traz saudades
e desenha esperançoso
rostos embaçados
nas retinas cansadas
do meu coração.
E nesses dias menores
em que a tarde
também busca se esconder
no crepúsculo,
o céu reúne todas as estrelas possíveis
para enfeitar as sombras
dos sorrisos
que nos restaram.
E como uma orquestra afinada
embala melodicamente uma canção
Aquela canção preferida
a tradução melódica
da fortuna
e dos sonhos
dos maios de outrora.

Marisa Dionisio


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Domingando

>> quinta-feira, 18 de abril de 2013


"Estou domingando
em uma quinta-feira desavisada
do mês de abril.
Abril que abriu-se em leque
e abanou meu semblante
desse calor febril.
Musicalizo meu discurso
para não banalizar o poema
Meu espetáculo é assim:
o enredo é amor,
trilha sonora de Ravel
uma pitada de drama
com um pouco de alecrim.
Visto meu dia de feriado
e refresco minhas palavras
com significâncias sutis.
O lema hoje é outonar
Desfolhar árvores simbólicas
e paisagear responsabilidades
com as matizes deslumbradoras
dos encantos adormecidos.
Acordo meu mundo com um café
e me embaralho em alegrias,
sendo eu uma eterna projetista
de reflexos sorridentes.
E se ao menos um sorriso
eu conseguir provocar
e assim desanuviar
algum tipo de tensão,
já valeu então
minha ilusão domingueira
e meu devaneio
enveredado nas estações.
Elevo a fala ao status de oração,
coloco meu desejo entre aspas
e tracejo um agradecimento.
Traduzo assim o ensejo
da intenção:
destacar a beleza que há
na humildade
e na imperfeição."

♥ Marisa Dionisio ♥



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Vontade

>> quarta-feira, 17 de abril de 2013

"E aí bate aquela vontade
de uma estrada
um blues
um conhaque 
e um violão.
Muito vento
bocas e sorrisos
uma fogueira queimando
uma lua
e dois corações.
O peito apertado
com o desejo que chama
A música embalando
o ar impregnado
de pura paixão.
Uma vontade insana
de te desenhar com os olhos
colher os seus suspiros
e de amarrar seu calor
ao contorno do meu corpo.
E no céu aberto de estrelas
bordar encantos
e brilhos
no seu cobertor.
Decorar seus caminhos
e percorrer seus labirintos
Andar descalça no seu mato
me perder no seu destino
Poder voltar sempre
ao ponto de intersecção
entre eu e você,
a estrada,
as escolhas,
o meu sonho
e a razão."


Marisa Dionisio


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Palavra poeta

>> domingo, 14 de abril de 2013


A palavra na minha boca, pulsa
E expulsa, solta o verbo.
Livre ao vento,
a palavra encontra o lampejo
provoca um sorriso
e acende o desejo.
E eu, sempre atenta
sustento a verve
gracejo com a rima
e amiúde
conjugo o fulgor.
A poesia em mim
se tece ardente no corpo
na pele, no toque, no calor.
Reverencia a arte
traduz o espírito
e exulta o amor.
A palavra quando liberta
acorda meu poeta,
lapida o lirismo
que habita e faz latejar
a minha inspiração.
Minha palavra percorre
intrépida
todas as vias sanguíneas
da minha alma em êxtase
até o refúgio
do meu coração.
E surge assim,
viva e poderosa
em forma de prosa
das entranhas
das minhas mãos.

♥ Marisa Dionisio ♥

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Pássaros nos olhos

>> sábado, 6 de abril de 2013

"E há, entre os homens, aqueles que trazem o voo infinito dos pássaros no olhar. E nos emprestam com generosidade resquícios da grandeza que possuem apenas com o observar contínuo dos movimentos suaves das aves riscando o céu. São homens de alma leve esses aprendizes das peraltices passarinhas. E levam com eles um coração rochoso, firme e resoluto, como um pouso seguro da ave em seu ninho. Caminham com o pé no chão e os olhos voltados para o alto, experimentando o sagrado retorno ao começo de tudo. Sábios são esses homens, que testemunham a natureza para compreender o mundo. E afortunados eles são, ainda, por despenderem a preciosidade das suas horas à contemplação fortuita das espécies aladas. Há, entre os homens, aqueles que tem a habilidade de apreender a singularidade da beleza de um pássaro apenas com o olhar. E eternizam com reverência o milésimo de segundo desse encontro, quando a ave avista o homem, e olho no olho, permite majestosamente que ele transforme esse momento em arte."

♥ Marisa Dionisio ♥



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Céu particular

>> quinta-feira, 4 de abril de 2013


"Prendia as estrelas que restaram daquela noite bem rente aos nós dos meus dedos, numa tentativa metafórica de manter o que me restou dele bem enlaçado a mim. E assim como as estrelas eram apenas miragens iluminadas que povoavam o céu, sua lembrança existia somente como uma quimera a habitar minhas retinas. E a noite, eterna cúmplice dos amantes destemidos, compactuava solidária com a angústia do desejo que nos arremessava um de encontro ao outro e derramava outras estrelas no côncavo do meu paladar. O meu dia amanhecia solitário sem o sol do seu sorriso. Na parede, me fazendo companhia, apenas o desenho das sombras daquele dueto que inúmeras vezes protagonizamos com maestria. Afrodite, na platéia invisível dos entusiastas do nosso romance, nos pedia sempre bis. E quando eu buscava alcançar esse toque que fazia estremecer cada milímetro de todos os átomos do meu corpo, eu percebia que ele estava a apenas um esticar de braço do meu encalço. Porque tínhamos, em conluio, um céu personalizado a pender magnífico sobre nosso esconderijo aconchegante de amor. E foram essas estrelas que nos guiaram, auspiciosamente, ao nosso infinito particular de paixão sublime. Minhas estrelas. Dele. Nossas."

♥ Marisa Dionisio ♥



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