>> segunda-feira, 6 de maio de 2013
Os dias enfim
chegaram a maio
O sol, mais breve,
morre suave junto com a tarde.
E como amantes apaixonados
os dois encostam
simultaneamente,
cansados e sincronizados
na linha do horizonte que se finda.
A luz de maio é cheia,
intensa,
inunda as horas
e transborda,
farta,
no tempo.
Maio chega
como reinante absoluto
Vestido de branco
repleto e longo
como um manto
a encobrir dores
cravadas no peito.
Maios antigos
contam-me histórias passadas
de um calendário esquecido
na memória
de uma meninice recente.
Maio em mim
dói
aperta o peito
e carrega em si
pesares profundos
silêncios solenes
e um sentido simbólico
Maio me traz saudades
e desenha esperançoso
rostos embaçados
nas retinas cansadas
do meu coração.
E nesses dias menores
em que a tarde
também busca se esconder
no crepúsculo,
o céu reúne todas as estrelas possíveis
para enfeitar as sombras
dos sorrisos
que nos restaram.
E como uma orquestra afinada
embala melodicamente uma canção
Aquela canção preferida
a tradução melódica
da fortuna
e dos sonhos
dos maios de outrora.
Marisa Dionisio
"E aí bate aquela vontade
de uma estrada
um blues
um conhaque
e um violão.
Muito vento
bocas e sorrisos
uma fogueira queimando
uma lua
e dois corações.
O peito apertado
com o desejo que chama
A música embalando
o ar impregnado
de pura paixão.
Uma vontade insana
de te desenhar com os olhos
colher os seus suspiros
e de amarrar seu calor
ao contorno do meu corpo.
E no céu aberto de estrelas
bordar encantos
e brilhos
no seu cobertor.
Decorar seus caminhos
e percorrer seus labirintos
Andar descalça no seu mato
me perder no seu destino
Poder voltar sempre
ao ponto de intersecção
entre eu e você,
a estrada,
as escolhas,
o meu sonho
e a razão."
Marisa Dionisio
"E há, entre os homens, aqueles que trazem o voo infinito dos pássaros no olhar. E nos emprestam com generosidade resquícios da grandeza que possuem apenas com o observar contínuo dos movimentos suaves das aves riscando o céu. São homens de alma leve esses aprendizes das peraltices passarinhas. E levam com eles um coração rochoso, firme e resoluto, como um pouso seguro da ave em seu ninho. Caminham com o pé no chão e os olhos voltados para o alto, experimentando o sagrado retorno ao começo de tudo. Sábios são esses homens, que testemunham a natureza para compreender o mundo. E afortunados eles são, ainda, por despenderem a preciosidade das suas horas à contemplação fortuita das espécies aladas. Há, entre os homens, aqueles que tem a habilidade de apreender a singularidade da beleza de um pássaro apenas com o olhar. E eternizam com reverência o milésimo de segundo desse encontro, quando a ave avista o homem, e olho no olho, permite majestosamente que ele transforme esse momento em arte."
♥ Marisa Dionisio ♥
